Dia 10 de julho presenciei uma das maiores barbaridades que já vi diante das minhas ventas. Saí intacto, mas o amigo e narrador Rodrigo dos Santos, não. Sangrou pelo nariz e pela boca após ser agredido por um funcionário da Federação Catarinense de Futebol durante a transmissão do tricampeonato da Copa Santa Catarina, conquistado pelo Brusque FC, diante do Joinville, na Arena da Manchester Catarinense.
Abaixo está o que publiquei no Jornal Município Dia a Dia, de Brusque, na edição da segunda-feira, 12 de julho.
****
A agressão do filho do presidente da Federação Catarinense de Futebol, Delfim Mário de Pádua Peixoto Neto, 39 anos, ao narrador da Radio Cidade e colunista do Jornal Município (de Brusque/SC), Rodrigo dos Santos, 31 anos, já repercutiu em sites, jornais, rádios e televisões de todo Brasil.
Escrevo para relatar o que vi, pois estava dentro da cabine onde Rodrigo foi agredido, no momento da estupidez. Além de nós dois, estava Paulo Sérgio "Xirú", comentarista da Rádio Cidade. E se não estivéssemos em três, talvez o "Delfinzinho" - como é conhecido o filho de Delfim de Pádua Peixoto Filho, o presidente da FCF - tivesse conseguido efetuar com êxito esta tentativa de homicídio contra Rodrigo.
Quando percebi, Delfinzinho, vestindo um casaco da CBF, já estava dentro da cabine de imprensa número 6 da Arena Joinville, onde a Rádio Cidade de Brusque fazia a transmissão do jogo Brusque 1x1 Joinville, e eu escrevia sobre a partida.
Era dia 10 de julho de 2010. O jogo tinha acabado há poucos minutos, os microfones estavam ligados e a brutalidade do filho do presidente foi transmitida ao vivo. Resguardado por quatro "guarda-costas", Delfinzinho entrou socando o narrador Rodrigo dos Santos. Eu, Paulo Sérgio "Xirú" e Rodrigo estávamos de costas para a porta da cabine, olhando para o campo, onde a festa do tri do Bruscão começava.
Vi o Delfinzinho derrubar o Rodrigo da cadeira com um soco. Caído, o narrador não teve chance de se defender dos chutes que recebeu no estômago e no rosto. Eu e Xirú, atônitos, levantamos para defender o colega e amigo. Pedimos, aos gritos, que parassem, e tentamos segurar os agressores.
Dois guarda-costas cuidavam da porta e outros dois distribuíam cadeiradas em mim e no Xirú. A atitude durou intermináveis segundos, até que conseguimos tirar os cinco intrusos da cabine. Não consigo explicar como os espantamos para fora. Também não tenho explicação para a fuga deles, para o fato de a Polícia não tê-los prendido já no estádio, em flagrante. Os cinco simplesmente sumiram.
Rodrigo foi atendido pelos Bombeiros, passou três horas no hospital da Unimed em Joinville, tirou raio-x do rosto e constatou que não havia fratura.
A imprensa, a diretoria do Brusque e diversas pessoas prestaram solidariedade. Todos sabem que Rodrigo é um amante do futebol. Trabalha dia e noite pra saber e trazer as notícias do esporte a seus leitores, ouvintes, telespectadores. Tem muito conhecimento do que fala, tem uma credibilidade imensa, busca a informação e passa adiante. Sabe dos bastidores, e sabe que lidar com Delfim e companhia é muito perigoso. Mas nunca se acovardou por isso.
Estranho é que a diretoria joinvilense não prestou nenhuma solidariedade. Sequer a pergunta "está tudo bem?" partiu dos senhores do JEC quando eles nos observavam sair do estádio às luzes apagadas. Delfim, o pai, disse no microfone da Radio Cidade que "nada tem a ver com isso". No mínimo, deveria ter educado melhor seu filho que, aliás, esteve preso até 2008 por tráfico de drogas e porte ilegal de arma.
Voltamos a Brusque de madrugada, escoltados pela Polícia de Itajaí, que foi nos encontrar no meio do caminho. A cena da atitude ridícula de Delfinzinho invadindo a sala e distribuindo socos e chutes jamais sairá da memória. Só espero que o fato sirva pra mudar o panorama do futebol em Santa Catarina. Pessoas assim não podem fazer parte da cúpula que controla o esporte mais importante do país.
----------------
Três dias depois o caso ainda repercute. ADI, Adjori, Acesc, a própria FCF, Comuniqui-se, Jornais de toda SC, entre outros órgãos se manifestaram contra a agressão. O próprio Delfinzinho, em entrevista a Ric-Record, admitiu que subiu até a cabine e envolveu-se em confusão com o narrador.

0 comentários:
Postar um comentário