Quarta-feira, 27 de Maio de 2009

Esquecer. Como?

Dia 25 de maio de 1952. Trajes de gala desfilavam pela rua Lauro Müller e milhares de pessoas presenciavam a maior goleada já sofrida pelo Avaí Futebol Clube nos seus 85 anos de história. Antes e depois disso, ninguém jamais fez quantidade igual de gols na esquadra azurra e, dificilmente, alguém baterá a marca registrada daquele Clube Atlético Carlos Renaux.

Detalhe do confronto que acabou 10 a 1 para os donos da casa: o goleiro do Avaí era ninguém menos que o maior camisa 1 da história do time da capital: Adolfinho.

Mas a data é tão constrangedora para avaianos que o próprio “goal keaper” faz questão de confundí-la. "Esse jogo não foi em 1947, não?", indaga, pra dizer na sequência: "lembro que o Meira (treinador do Avaí na época) foi me chamar em casa. Eu estava um tempo parado, mas ele insistiu para eu ir. Como não gosto de dizer não, fui. E fiz a maior besteira da minha vida", recorda Adolfinho do alto de seus 84 anos.

Quanto a data, o historiador Adalberto Jorge Klüser, 44 anos, garante que foi mesmo no dia 25 de maio de 1952. E salienta a força do Carlos Renaux daquele ano. “Este time era chamado de “Globotrotters” e tinha Petrusky, o único jogador a marcar seis gols em um único jogo contra o Avaí. Nenhum outro atleta conseguiu tal proeza nos 85 de história do Leão da Ilha”, destaca.

Segundo o livro “O Vovô do Futebol Catarinense”, de Eloy Koch e Antônio Heil, em 1952 o Carlos Renaux jogou 33 partidas. Nelas, fez 138 gols e sofreu 44. Obteve 27 vitórias, dois empates e apenas 2 derrotas, uma para o Flamengo/RJ por 3 a 0 e outra para o Chacaritas Juniors, da Argentina.

Conta a história que o Avaí jogava o campeonato estadual naquela época. Lá pelas tantas, teve uma partida (contra o Hercílio Luz) anulada e o Carlos Renaux aproveitou para convidar o time da capital para um amistoso em Brusque. O Avaí aceitou.

Uma das poucas memórias vivas daquela época e diretamente ligada ao futebol é seu Érico Zendron, o autor da foto que ilustra esta página. "Lembro que subi no Expresso Brusquense (ônibus da época) para tirar a foto. Foi uma goleada épica. O time deles era um timaço, mas o Renaux era melhor", acentua o ex-fotógrafo.

José Germano Schaefer, o seu Pilolo, também era jogador e, apesar do jornal “O Rebote”, datado de 31 de maio de 1952, colocar seu Pilolo como suplente da partida e como autor de um dos gols, ele afirma não ter participado do “match”. "Sei deste resultado. Lembro dos comentários, mas eu não joguei esta partida. Tenho impressão de que estava viajando ou machucado", contesta o ex-jogador, prestes a completar 84 anos.

Em seu lugar, naturalmente estaria Valmor Mafra, colocado como titular na escalação. “Eu joguei pouco tempo no Carlos Renaux, mas o Pilolo era o titular. Ele já era casado e quando não podia jogar, eu era o lateral”, recorda seu Valmor, hoje com 78 anos.

Além deles, os únicos do time brusquense que estão vivos, são Teixeirinha (que não respondeu ao nosso contato), Aderbal e Tesoura (atualmente residindo em Florianópolis).

E lá se vão 57 anos daquela jornada única. 10 a 1, com seis gols de Petruscki, um de Pilolo, um de Joine, outro de Otávio e o desconto de Saul para o Avaí. Tempos distantes e memórias difusas. Fatos marcantes.

Escalações
Carlos Renaux – Mosimann, Afonsinho, (Irineu) e Ivo; Tesoura, Bolonini, Mafra (Pilolo), Petruscki, Otávio, Teixeirinha, Aderbal (Curreca) e Joine.

Avaí – Adolfinho, Beneval, Barbato (Bolão); Nenem, Jair, Minela, Didi, Nizeta, Bolão (Américo), Miltinho, Saul (Manára)
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Texto publicado no Jornal Município Dia a Dia de 25 de maio de 2009.

Sábado, 13 de Dezembro de 2008

12ª vez


Antes que morram de gastura, preciso me pronunciar. Não há muito de diferente para dizer. O balanço do Brasileirão está aí abaixo, no post mais recente (ou antigo?). Só que preciso assumir que errei no único palpite infundado. Pra mim, como torcedor que sou, o Grêmio seria o campeão brasileiro em 2008.

Mas o São Paulo ganhou mais dos outros do que o Grêmio, e por isso foi campeão sobre os outros. É a fórmula justa, temos que respeitá-la.

Que venha a Libertadores, privilégio de poucos, pela 12ª vez.
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Ah, ia esquecendo do ilustre mais comentado do ano. Depois de dizer que sairia, pediu R$ 300 mil e ficou, mas com 220. Só que se for pra pagar 220 mil pra ele, me paga "déizão" que faço o mesmo trabalho. Mas, sempre pode dar certo em se tratando do Imortal dos Pampas.

Sem mais.

Terça-feira, 18 de Novembro de 2008

Enfim


A peleja está de volta. E volta mais uma vez por causa dele, o mais comentado, aquele que fez comentaristas e torcedores trocarem de opinião a cada duas semanas, aquele que receberá de brinde seu maior título da carreira, de bandeja, entregue pela alma castelhana, pelos gritos de louvor vindos da arquibancada.

Volta porque hoje, neste iluminado dia 18 de novembro, a notícia mais importante de 2009 vazou. Celso Roth confidenciou a amigos que não ficará no Grêmio no próximo ano, mesmo depois de ganhar o Brasileirão. Foi o tal Macedão, da RBS que publicou e eu não fiz força nenhuma pra duvidar.

E ainda tem quem chame o Celso de burro.
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Faltando três rodadas podemos tirar a conclusão final deste campeonato. Uma coisa é certa. A fórmula não é a mais justa e por isso (também) não é a ideal.
Se o São Paulo for campeão, você dirá com certeza que ele é melhor que o Grêmio? Como, se o Grêmio venceu os dois confrontos diretos contra o tricolor paulista?

A fórmula ideal e justa, seria aquela que obrigasse uma final, em jogos de ida e volta, entre o primeiro e segundo colocado da tabela. Um tira-teima com casa lotada nos dois estádios, dois domingos especiais em que o Brasil pararia para torcer ou secar, renda para os clubes, emoção até o final garantida, festa na casa do campeão, e não numa noite de gala, no Rio de Janeiro, para meia-dúzia de baba-ovo e um punhado de jornalista.

Outro fato comprovado, este referente ao Grêmio: quando Odone optou por Roth, eu falei pro meu tio Edinho (nem preciso dizer que ele é gremistaço): pode até dar certo, mas nós vamos nos incomodar. De fato, nos estressamos.

E, sobre a sua atuação à beira do bramado, logo abaixo há um outro texto com o título “Reveja”. O maior mérito do ex-Bigodão foi manter o time na hora que ele encaixou no 3-5-2. Ele botou um gás na galera, fechou o grupo e mandou ver na frase: “em time que está ganhando não se mexe”. Feito.

Quando teve que mexer, se perdeu e quase pôs a vaga pra Libertadores no lixo. Ele provou que é um treinador limitado a armar uma boa defesa e um esquema de jogo. Se o adversário manjar ou der um nó-tático, já era, ele se perde e não consegue desatá-lo.

Um palpite sem embasamento pra encerrar: O Grêmio vai sair campeão!

Sexta-feira, 17 de Outubro de 2008

Bah chê


Com essa história de tomar chimarrão e coisaital, voltei um pouco às raizes da terra enxarcada pelo Uruguai.

Nessa, conheci um cara. Já tinham me apresentado (O 555 vivia tocando uma baita música dele no violão), mas eu não tinha me atinado.

Te liga na frase do homem:

"Andam falando por aí, de boca em boca
Que a nossa fibra e nossa garra esmoreceu
Que andam pisando em nosso pala
Quem consente é certamente porque a fibra já perdeu"

E esta é a música que o Elton sempre toca:

Batendo água
"Meu poncho emponcha lonjuras batendo água
E as águas que eu trago nele eram pra mim
Asas de noite em meus ombros sobrando casa
Longe "das casa" ombreada a barro e capim

Faz tempo que eu não emalo meu poncho inteiro
Nem abro as asas da noite pra um sol de abril
Faz muitos dias que eu venho bancando o tino
Das quatro patas do zaino pechando o frio

Troca um compasso de orelhas a cada pisada
No mesmo tranco da várzea que se encharcou
Topa nas abas sombreras, que em outros ventos
Guentaram as chuvas de agosto que Deus mandou

Meu zaino garrou da noite o céu escuro
E tudo o que a noite escuta é seu clarim
De patas batendo n'água depois da várzea
Freio e rosetas de esporas no mesmo trim
Falta distância de pago e sobra cavalo
Na mesma ronda de campo que o céu deságua

Que tem um rumo de rancho pras quatro patas
Bota seu mundo na estrada batendo água
Porque se a estrada me cobra, pago seu preço
E desabrigo o caminho pra o meu sustento
Mesmo que o mundo desabe num tempo feio
Sei o que as asas do poncho trazem por dentro"

Sábado, 4 de Outubro de 2008

Mateando com a província


Meu velho não me ensinou a ter time de futebol. Talvez nem tenha tido tempo pra isso. E, por uma destas coisas da vida, eu fui torcer justamente para o maior rival do time dele. (Ainda bem, é bom que se diga).

Mas, se ele não pôde me influenciar na escolha do time, me influenciou em várias outras coisas que fizeram de mim o cara que sou hoje. E, só pra não fazer injustiça (outra coisa que ele sempre me ensinou), vou lembrar que o velho Esporte Clube Cometa, do Estádio da Montanha, sempre foi nosso time em comum. Lá, eu e ele vestimos o preto, vermelho e branco. E gritamos como loucos pela vitória do Cometão.

Mas esse papo todo é pra dizer que me preparo para esquentar uma água, fazer a cuia e esperar o jogo da retomada do Grêmião, o time que foi mais forte que a influência do meu pai sobre mim. Cuia, erva e bomba que ele, meu velho, me enviou pelo correio nesta semana pra que mais um de seus costumes continue sendo um dos meus.

E, se na semana passada eu sofri e reclamei, a minha felicidade é estar nas cabeças e a dele é vencer um clássico e comemorar o oitavo lugar.


Acélio Daudt disse um dia:
"O Grêmio é igual ao capim teimoso.
Se a geada mata no inverno,
Na primavera volta mais viçoso".

Sábado, 27 de Setembro de 2008

Little joy


Bicho, isso simplesmente se infiltrou na minha cabeça.

Esses dias o amigo Felipe disse que o Amarante (Los Hermanos) e o Fabrízio (aquele baterista brasileiro que toca no Strokes) tinham feito uma parceria, uma banda, umas músicas.

Ele, o Felipe, disse que não tinha gostado muito, “nada de mais”, comentou.
Eu não. Fui ao myspace dos magreza e aquilo me viciou. Jamais eu havia visitado o myspce tantas vezes. Têm três músicas lá: No one’s better, Brend new star e With strangers.

Como os nomes revelam, são todas em inglês. E são cantadas pelo Amarante.
Sei lá, mas ouvi o melhor som novo feito dos últimos tempos das últimas semanas.

Ah, parece que terá CD em 4 de novembro.

Sábado, 6 de Setembro de 2008

Reveja


Todo este tempo sem escrever no blog da peleja, facilitou uma situação. É interessante ver como a gente pode errar o pulo ao registrar uma opinião.
Nos últimos posts o que mais fiz foi criticar Celso Roth, técnico do time líder deste brasileirão que chega a 24ª rodada.

E aí, é mentira o que escrevi antes? Não é verdade que o Roth esculhambou o time no Gauchão e na Copa do Brasil, quando fomos eliminados em casa por um time da 2ª e outro da 3ª divisão do futebol brasileiro? Claro que é verdade.

Mas como fui homem o suficiente antes pra falar de todas as bobagens que ele fez, tenho que ser igualmente macho pra admitir que o homem acertou o time. Só que aí minha memória traz um fato.

Não foi o Roth que escolheu de livre e espontânea vontade o esquema de três zagueiros que encaixou desde a primeira rodada.

Foi o acaso que fez Celso perder um homem do meio e o obrigou a optar pelo 3-5-2. Naquela época, uma quarta-feira anterior a estréia no Brasileirão contra o São Paulo, no Morumbi, tudo que o treinador poderia fazer era colocar Pereira entre os outros dois zagueiros e mandar jogar pra ver no que dava.

E não é que o Grêmio fez o crime. Ganhou de 1 a 0 do todo poderoso campeão brasileiro 2007 e depois foi jogar em casa, contra o mais popular do Brasil: Flamengo. E jogou bem de novo. Só não ganhou porque o goleiro rubro-negro pegou tudo.

E aí, o Roth, com a cabeça à prêmio, não mudaria o time que tinha dado certo contra dois candidatos ao título deste ano. Ele tinha inventado contra o Juventude com Paulo Sérgio na esquerda e Rudnei no time. Se mudasse agora e o Grêmio perdesse, estaria frito como lambari.

Então ele manteve e o time encaixou. A garra que a torcida manda da arquibancada e a história tricolor fez aqueles jogadores lutarem como sempre se faz ao vestir a camisa do imortal dos pampas.

E Roth ficou.

E, ficando, vou lhe garantir um mérito. Ele não mexeu mais no time, se aliou aos jogadores, tem aproveitado bem quem chegou, e substituído razoavelmente durante os jogos. Mais: viu nesta camisa a chance de ganhar seu maior e único título de grande expressão no futebol.

Ganhou reforços (isso é mérito da direção, do Krieger, que eu também xinguei pra caramba) e mantém, com a força da torcida, o time em primeiro desde a 14ª rodada.

Será mais um feito histórico este. Vamos entregar um grande título nas mãos do treinador mais odiado e amado dos últimos tempos.

É o Grêmio fazendo caridade.

Sirvam nossas façanhas de modelo a toda Terra!